Vida por um triz

flores

Quando a vida está por um triz,

Ficamos tristes pelos sorrisos que não demos,

Pelos amores que não vivemos

E pelos amigos que não mantivemos.

Quando a vida está por um triz,

Ficamos tristes pelo silêncio que não quebramos,

Pelas inúteis discussões que travamos,

Pelas marcas que não deixamos

E pelas saudades que não despertamos.

Ficamos tristes porque não escrevemos tudo aquilo que gostaríamos de ter escrito;

Ficamos tristes porque nem todas as cartas de amor foram enviadas;

Ficamos tristes porque não paramos todas as mazelas terríveis que o mundo covardemente oferece (e como se isso fosse possível).

Mas, sim, sim, sim!!!

Antes podíamos!!! Antes podíamos!!!

E não fizemos. Não fizemos…

Ficamos tristes com o tempo desperdiçado em ocupações que nos retiraram o convívio com aqueles que amamos.

Já não mais basta plantar uma árvore, escrever um livro e ter um filho.

Sentimos que devíamos ter plantado uma floresta, escrito vários livros (e sempre mudando de ideias, por que não?), e tido um caminhão de filhos, biológicos e do coração.

Quando a vida está por um triz,

O que nos acalma é a paisagem dulcificante na natureza,

Que nos relembra a juventude esquecida que ainda carregamos

Em um corpo ora inútil e nem sempre tão jovem assim.

É o amor dilacerado que pulsa em nós,

Libertando a esperança de um “eu” melhor.

É a lembrança de que um dia fizemos o bem, de que doamos o nosso melhor entendimento a alguém, independentemente de resultados.

O que nos acalenta é a constatação de que o arrependimento não faz o tempo voltar e o que está feito consolidado está,

Que independe de nossa vontade o retorno dos dias vividos,

Mas que a vida é bem mais simples do que parece, podendo ser escrita num guardanapo de papel.

 

 

 

 

 

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